terça-feira, 14 de agosto de 2012

Conduza-me.


Seria aqui o tal fim da linha?
Me diz condutor, me diz que não. Me diz que a estrada não tem fim.
Há um ano rastejo e encontro rastros seus onde não gostaria. Há um ano venho esfregando em minha cara uma dor que me parte em três.
Existe algo em você que me reforça o fato de que não dá, algo que me diz que jamais haverá uma mudança e que me olha de cima a baixo como quem quer dizer e não diz: é o fim, querida.
Condutor, me diz... ali, depois daquela luz, existe algo? Existe um muro, uma parede ou uma estrada que me leva ao infinito?
As perguntas são tantas e a cabeça não almeja nenhuma resposta. Ela busca nos buracos, nas entranhas, nos seus passos mal dados, a verdade dentro das tantas mentiras.
Eu tenho medo, condutor, de que você me diz que darei com a cara no muro. Eu tenho medo de chegar sozinha ali. E mais medo ainda se eu chegar acompanhada.
Me diz, condutor, de uma vez por todas... na verdade, me cala. E não me responde nada. Das minhas respostas eu que vou atrás. E o pior: eu acabo encontrando-as.


Juliet Tongue

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

No espaço existe a constelação "Você e Eu"

No alto céu, encontram-se corpos celestes, as estrelas. Eles são feitos de gases... Acredito que seja algo parecido com nossas almas, que não podemos tanger.

O conjunto desses corpos formam constelações. E mesmo quando não as formam daqui da terra, tentamos liga-las como se fossem um “jogo de ligar pontos”. Posso dizer que daqui ainda consigo ver algo assim.

Existem duas estrelas lá em cima, uma delas brilha constante, a outra parece que está a ponto de apagar, mas mesmo assim seu brilho continua por lá. Elas formam a pequena constelação “Você e Eu”.

Para o céu eu olho e ainda as vejo. Vejo de várias perspectivas. Antes elas brilhavam com a mesma intensidade e dava a sensação de ser um só corpo celeste, uma unidade. Brilhavam em meus sonhos e na realidade, na verdade ainda iluminam.

Percebo e sinto que uma delas parece morrer. Morrer para ela não será desaparecer assim no universo (ou multiverso). Seus fragmentos foram dispersos, por conta do tempo, espaço e do medo, que ela emanava. Com reações químicas “negativas”, explosões ocorreram. Sem entender o que estava acontecendo, ela se perdeu em sua própria órbita. 
Estudiosos puderam avaliar essa transformação, mas não foram e nem seriam capazes de auxiliar na reaproximação e realinhamento de ambas as estrelas. Porém os elementos químicos podem parecer mágicos. Ela começou um realinhamento, interno e posteriormente externo. Para que isso acontecesse levou um tempo. Um tempo esse espacial, não terreno. 

No tempo terreno rezo, sonho e até lutaria com todas as forças para que elas voltem a parecer um só corpo celeste. No tempo espacial, esperarei o tempo que for, aguardarei por aqui mais transformações, para que um dia voltem a formar, a constelação que foi iniciada com duas estrelas.

Aimee Finger

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Uma carta ao que passou...


Então, eu despertei e senti que necessitava de um abraço seu. Não sei há quanto tempo isso não me ocorria, não sei há quantos anos eu não me lembrava de sua feição, dos seus cabelos curtos e da sua risada tão característica.
Lembro-me, com um carinho e sem saber de onde o tirei, das suas palavras me acalmando. Me acalmando pelo que nem você sabia o que era... E nem eu, que aos dezoito anos, achava que amava o tom da sua pele, o seu sorriso e tudo o que de melhor havia em você. E até o que de pior havia.
Acreditava em nós, em um eu-você que jamais existiu. Existiu apenas em meus sonhos, nas minhas vontades, nas minhas verdades. Nos meus mais loucos delírios, éramos felizes juntos. Estranho. Estranho voltar a pensar nisso.
Mas acordei com uma vontade, quase que necessidade, de sentir seus braços em mim. O estranho é que não necessito de você homem, de você amante, de você marido. Acordei sabendo que tudo aquilo que eu senti era amor, sim. Mas um amor cheio de carinho de irmão. Uma admiração pelo seu trabalho, uma vontade de ser igual.
Hoje, estou quase onde eu gostaria de estar. E queria te mostrar isso. Queria te abraçar e te apresentar a minha namorada, que é a coisa mais linda do mundo. E sei que ao apresentá-la a você, você diria uma ou duas gracinhas e daria aquela gargalhada tão típica. Queria te mostrar o quanto cresci, o quanto mudei, o quanto evoluí... Tenho certeza que você se orgulharia de mim. Eu não sou mais a menininha que liga no seu celular só pra ouvir sua voz na caixa postal enquanto você trabalha. Eu cresci. Amadureci. E queria que você visse isso.
Talvez de onde você está, você até acompanhe tudo isso. Talvez... Mas eu despertei com vontade de certezas.
Tenho escrito muitas coisas e tenho guardado todas elas. Lembro-me de você me dizer pra que eu não desperdiçasse as palavras, naquele natal em que te enviei um e-mail cheio de carinho. Então, não as desperdiço... As vomito todas aqui pra você que, um dia, pra ver meus olhos brilharem, me brindou com um beijo.
Obrigada por ter existido na minha vida. Obrigada. Espero que se orgulhe de mim. E até um dia. Até logo, até breve, até...
(Então as palavras não cessam, como se me despedir não fosse uma opção. Não sei se quero, mais uma vez, me despedir. Mais uma vez, cerro meus olhos tentando imaginar como você seria hoje e te deixo um beijo de até mais.)

Juliet Tongue

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Dentro e fora de mim

Se todas essas coisas foram ditas, será que elas saem daqui de dentro?
Não quero que elas mais cresçam e fiquem aqui acumuladas, esperando algo.
Elas expandem, reviram órgãos, torcem músculos e retorcem pensamentos. Trazem náuseas, aflições e choro.
Quero que isso tudo saia de mim, mas que ao mesmo tempo não quero que você se vá.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

apenas sem rótulo

apenas o silêncio como resposta
apenas o esquecimento
apenas palavras digitadas, não mais a dizer ou ouvir
apenas frio e distância
apenas um número que ficou no passado
apenas um buraco que está vazio ou só contém ar
apenas um tempo que não chega
apenas uma dor que nem doí tanto assim, mas às vezes vem pungente
apenas as lembranças amontoadas em caixas que ainda não foram desfeitas
apenas uma saudade que não cabe nelas...
apenas uma fala mal dita e um olhar não visto
apenas... uma pena
que sem rumo vai

domingo, 18 de março de 2012

Mais forte que o santo

Era noite de terreiro. 
Vacilo seria não estar naquela adoração. 
Fui com meu vestido cru, naturalmente puro e o cravo vermelho pra me acompanhar.
Chão bom pro pé assentar de tanto sambar. 
Santo forte havia de incorporar, o ilê bradar ao cantar de amor e fé. 
Era o que eu queria e o que tinha.
Na dança os santos me envolveram com uma doce morena.
Com jeito matreiro me engracei e ela agraciou. 
O desejo aumentava enquanto a saia rodava, e os corpos se encostavam. 
Até que a poeira do terreiro subiu. 
Nos não pudemos conter o que de dentro vinha. 
As filhas de santo se beijaram até o sol raiar.
Entre os santos e bambas que ali estavam a festejar.

Das minhas mentiras

A cada dia que passa eu venho admirando mais rostos nas ruas. 
Rostos do esteriótipo que mais agrada.
Nunca sou correspondida, porque não seria essa a intensão.
Tento e invento maneiras de te trair, mas ai sou eu que me traio primeiro.

Dessa vez era ele

Como maratonista lá vou eu correndo para o embarque do trem. Mesmo na correria alguém me chamou a atenção. As portas se fecharam, trem partiu e pude, se assim posso dizer, me acomodar naquela lata de sardinha.


Mesmo sem conforto recuperei meu fôlego ao observar o jovem rapaz. Alto, cabelo castanho bem aparado, barba feita, olhos escuros e atentos no compassos da batida inquieta de seus pés. Nem muito forte e nem muito magro.


O que me chamou atenção? Não sei. Um cara e sua normalidade. Mas pára tudo... 
Depois de tanto tempo estava olhando para um HOMEM! E o desejando!

domingo, 11 de março de 2012

Espionagem

No passeio ela pressentiu que alguém a reparava. Constatou isso ao usar o espelho do estojo de sombras, como um "retrovisor". Ele refletiu um olhar assustado, de alguém que foi descoberto.

Ela fez isso porque pressentiu olhares, que às vezes comiam. Outras vezes que apenas não a queriam distante daqueles passos, que apenas a acompanhavam. Aqueles olhos castanhos seguiam-na. Era um olhar tímido, o suficiente para não estar frente a frente e audacioso ao segui-la perenemente por todo passeio.


Ao descobrir, Marina sorriu como se agradecesse a proteção de seu espião, aliás, espiã.
Ao ser descoberta, a "espiã" envergonhou-se, mas piscou vagarosamente, como se dissesse "por nada".


Assim foi, por dias, semanas... Não se sabe ao certo quanto tempo se passou. Tanto passou que os olhares não mais bastaram. Os olhares passaram a se olhar fixamente e os lábios também começaram a se tocar.

Espelho da verdade

O espelho refletia toda a verdade. E eu tive nojo, incompreensão, pânico, desespero, suor, muito choro e clafrio. Tudo isso, enquanto me olhava.
Era eu mesma que estava ali? Tudo aquilo havia me mascarado. Frustrei-me e fugi. Deixando mais choro, incompreensão, medo, tristeza, choro e muito soluço. E nem deixei as desculpas. Deixei apenas interrogações.
Fugi antes mesmo de você fazer minhas malas. Porque eu mesma não tive coragem.
Antes mesmo de me indagar, fugi de mim mesma.
Hoje entendo um pouco melhor o que o espelho me mostra.
Mas mesmo assim, o que gostaria de ver refletido, é meu rosto em seu olhar.