segunda-feira, 25 de maio de 2009
Traumas
Confesso que é um trauma. Um trauma igual a qualquer outro... Sabe, quando a pessoa tá tão confiante que já anda de bicicleta sem as mãos e é nessa hora que ela cai feio, se machuca e simplesmente passa a ter trauma de bicicleta. Não importa o quanto ela esteja protegida, o quanto é certo que aquele tombo nunca mais se repetirá, a pessoa fica insegura, sabe? Ela nunca desaprende como se anda, mas... Mas ela tem medo. Medo de se arriscar. E é ótimo quando ela se arrisca, mas sempre com aquele cuidado dobrado, porque seria horrível levar outro tombo, seria horrível errar duas, três, quatro vezes.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Mulher-da-vida
Toda lésbica já teve uma ou mais “mulher da minha vida”. E acredito eu, que a mulher da sua vida, é aquela da vez, aquela paixão, aquele amor, aquela namorada.
Só eu já tive três.
A primeira era quase impossível dar certo. Fiz loucuras, viajei horas, lutei contra mim mesma pra manter um sentimento, pra acreditar em algo que não existia. Eram doze horas de viagem, chacoalhando num ônibus. Florianópolis nunca foi tão longe assim. Enfim, devido a distância, ela deixou de ser a mulher da minha vida.
A segunda era aquela perfeita. Em tudo. Sorriso perfeito, dias perfeitos, passeios perfeitos, beijo perfeito… Mas tinha o mesmo problema: distância. Rio de Janeiro. Ok, não tão longe assim, porém longe. A distância fez tudo ficar maior: amor e insegurança. E, com tudo isso elevado, ela acabou encontrando outra mulher da vida dela. Então, foi minando o sentimento. E hoje somos amigas e rimos de tudo que passamos.
A terceira… Tudo pra dar certo. Apesar de eu estar em um momento de reclusão, de não querer me entregar. Ela foi tão fofa, tão presente, que não consegui não me entregar. Me joguei de cabeça. E essa não tinha problema de distância. Era tudo bem perto, bem próximo, caloroso. O problema: o amor que ela ainda nutria pela ex. Doeu demais. Ela sabe, eu sei… Até o ponto em que não deu mais. Certas coisas, tornaram-se torturas. E acabou. Não o amor, mas a relação.
E, sabe… Quando a gente realmente acredita que é a mulher de nossas vidas, temos esperança até o fim. E, memso que não seja pra agora, a esperança ainda fica presente em mim.
Então, ela continua sendo a mulher da minha vida. A terceira. Mas a presente agora dentro de mim.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Desconheço (me)
Não sabia seu nome completo e nem sua idade. Sabia pouco ou quase nada sobre aquela que passeava a língua pelo meu corpo. Sabia que lia Kafka e amava Lispector. E sabia que colocava os dedos dentro de mim como ninguém.
Era estranho tudo aquilo. Eu nunca havia ido além de beijos em um primeiro encontro.
Ela me acariciava e sorria de um jeito lindo. Talvez eu devesse ter me deixado levar apenas pelo tesão e pela louca tarde de sexo. Apenas.
Mas enquanto eu a tocava, ela dizia coisas tão bonitas que eu, passional que sou, acabei me apaixonando por aquela mulher. Me sentia menina perto dela. Me sentia aprendiz diante de toda a experiência e de toda a desenvoltura dela.
Corintiana fanática e petista. Era só o que eu lembrava que conversamos antes de arrancarmos, em fúria, nossas roupas.
Foi diferente e único aquele encontro, aquele dia. A mente ficou confusa por fazer algo tão distante de mim, do que eu me conhecia.
Foi excitante e estranho.
E confesso ainda sentir as pernas bambas a cada vez que a encontro pelas ruas da cidade. E os encontros têm sido frequentes.
Coisa dos céus?
A: Qual seu signo?
B: Virgem e o seu?
A: Peixes.
B: Não sei se gosto de piscianas…
A: Porque?
B: Minha ex namorada é de peixes.
A: Piscianas são sonhadoras, românticas. E se dão super bem com as virginianas.
B: Pois é… Me apaixonei, me entreguei. Ainda a amo demais. Mas ela, ela não conseguiu se entregar.
A: Estranho… Você demonstrou amá-la?
B: Não só demonstrei, como disse. Com todas as letras.
A: Então foi isso! Nós gostamos das coisas difíceis. Tem que ficar quieta,s er fria, às vezes até ignorar.
B: Mas se eu fosse assim só pra conquistá-la, eu deixaria de ser quem eu sou. E a coisa que eu mais queria era que ela me amasse por eu ser quem e como sou, sem mudar nada.
A: …
Malemolência
Deitada, febril e muito chorosa, estava eu lá.
Com muita dor e cheia de saudades, do seu olhar pra me zelar, da sua prontidão pra me cuidar, do seu toque para me carinhar, do seu sorriso para me alegrar, do teu beijo para me cuidar.
Lembrei-me da vez que mesmo doente você me curou com seu calor.
Nós duas deitadas. Eu recostada em seu peito, prestes a me render ao sono, você num abrupto movimento, chegou com a boca colada na minha.
Ali começou o processo de cura.
Calafrios de enfermidade se transformavam em calafrios de excitação.
Não me movi, mas ao mesmo tempo não estava disposta a ser submissa ao seu prazer.
Você começou a me despir com uma tenacidade, como se meu pijama fosse a principal causa da moléstia.
Sua língua e seus suspiros refrescaram todo meu pescoço, boca e colo. Com isso minhas unhas foram conduzidas para tuas costas. Quisera te impedir com meus arranhões, mas você não compreendeu assim. (E quem disse que era para assim ser?).
Suas mãos passeavam sobre meus seios, barriga e ao mesmo tua coxa passava pelo meio de minhas pernas. Parecia que você estava tentando me reavivar, pois me olhava como quem só esperava ver meus reflexos e reações voltarem ao normal. E eles voltavam a cada segundo que tuas mãos me tocavam.
Meu peito estava bem mais aberto, e minha respiração mais forte. Mas você não estava contente, pois não tinha ouvido que eu estava bem. Foi ai que começou a me tocar com seu jeito, sem igual. A febre sumiu e todo calor se concentrou apenas no meio das minhas pernas, e você podia sentir isso com seu toque.
Olhos nos olhos, e seus dedos pareciam medir minha temperatura interna. Dentro e fora você carinhosamente podia me sentir perfeitamente.
Realmente, passará do estado febril. Comecei a gemer não mais de dor, e sim de amor. Não fiz a menor questão de abafar isso.
Eu percebi seu calor e seu suor, junto com o meu. Precisei então sentir se você estava como eu estava. Pude ter forças o suficiente, para colocar você deitada.
Quando me dei conta estava me tocando e suando. Chegava por fim meu estado febril e minha moléstia se fora, mesmo sem que você estivesse comigo.
De qualquer forma, você me cura de todos os males; através dos seus cuidados e até mesmo através dos meus mais doces delírios reais...
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Amor, Paixão e Sexo
Eu amo...
Me incendeio de paixão.
E tenho um gigante apreço pelo sexo.
São três coisas distintas, e graças a vida pude separar essas coisas. Elas tem movimento próprio. E são ilimitadas.
Como eles eu também não me subordino ao que é conveniente e nem as vontades.
Eles podem eleger mais pessoas. E eu sou instrumento para que isso aconteça. Sou instrumento mas tenho autonomia. Eu tenho! Mas na atual situação eu me sinto perdida!
Perdida num amor, numa paixão e relações sexuais extremamente prazerosas. Mon Dieu!!!
Quem é ela?
Não era só a namorada que a amava e era apaixonada:
- A ex-namorada;
- O primeiro amor do passado;
- Um affaire
- E um amor, que se transformou em uma amizade inexplicável.
Se pudesse escolher nos dedos, os dias úteis da semana estariam completos.
Poligamia não era sua filosofia. Contudo ela era intensa, por cair ou não em tentação, estímulos foram acionados.
Ações foram feitas.
Ressacas morais surgiram no dia seguinte. Mas ela tinha consciência de suas atitudes e conseqüências. Quem a conheceu sabia que ela não era assim. E que a culpa não era dela e nem das outras.
Ter controle sobre seu desejo carnal, talvez tenha sido, relativamente fácil de controlar.
Porém como controlar seus pensamentos/inquietações?
E os batimentos acelerados do coração, que vinham quando encontrava com apenas uma delas, sem ser a sua namorada? A única certeza que tinha era do “Eu te amo”, dito a sua namorada.
Será ela uma carente?
Será esse ser uma romântica, à la Don Juan de Marco?
Será ela louca?
terça-feira, 12 de maio de 2009
Sem mordaças
Quando tudo estava para ficar estabilizado, o coração desatou uma mordaça.
A: Eu gosto de você. Comecei a ver, depois de tanto tempo, coisas que já haviam sido alertadas. Descobri que eu posso e há vida sem ser com ela. Que os momentos que vivemos juntos nesse meio tempo, fazem a diferença e que eu nunca pude vivenciar com ela. Sei que vocês são diferentes, mas falta algo, que com você não falta. [...].
Isso foi dito e ouvido.
Vivem-se momentos de verdade e intensa alegria. Vive-se também temor, por saber que elas, as outras sofrerão.
É assim que se vive. É assim quando o coração fala.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Ultraprovocação
A: Eu voltarei a ser heterossexual! – Ela olhava pra cima, como se estivesse ameaçando Deus.
B: Eu terei um pênis. – Dizia cinicamente.
A: Eu vou virar hermafrodita... – Duvidando da possibilidade de haver tréplica.
B: ... Eu serei assexuada. – Disse desprezando a réplica.
A: Você está me atentando!
B: Sou sua maior tentação...
Aimee Finger
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