quinta-feira, 16 de julho de 2009

Roçou as pernas nas minhas, como se houvesse esbarrado e me comeu com os olhos. Olhares profundos, marcantes.
Sorria de canto de boca e sabia que eu estava me contorcendo. Eu não sabia o que fazer, mas não queria que parasse.
Olhava meu decote, minhas pernas, como quem fosse voar em cima de mim a qualquer instante. Mas se continha em seu lugar com aqueles olhares de quem ia me devorar inteira em questão de segundos.
Eu a fitava com desejo e tensão. Com medo e vontade. Vontade de que ela pulasse em cima de mim e me tomasse ali, naquela hora.
Ficamos assim cerca de quarenta minutos.

- Estação Paraíso. Acesso à linha 2, verde.

E ela desceu como se nada tivesse acontecido. E meu rosto, rubro. E minha pele, arrepiada. E minha voz, mole. E as pernas, bambas. E eu mal conseguia andar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Seu oásis

Ela tem me olhado como que deseja loucamente água do deserto.

Saliva, morde a boca e roça seus lábios carnudos. Delira quando fecha os olhos...


É tesão mais é muito mais que isso. Eu sei.

Re-volta

Reli "Sem Ana, blues". Reli todo, absorvendo partes antes não tão tocantes. E ao degustar cada palavra, fui lembrando da sensação de quando eu perdi minha Anna. (Sim, a minha tem dois N. Ela não é igual à Ana do Caio, ela não é igual à nenhuma Ana ou Maria ou Gisele ou Bruna do mundo). Lembrei-me da sensação de derrota e dos dias sem comer, sem dormir. Lembrei-me dos 7 quilos que foram embora em uma semana. Do gosto do vômito, das três entrevistas de emprego perdidas, da falta de ânimo pra levantar da cama.
E relendo a Ana do Caio tudo voltou com uma intensidade enorme. Como se eu revivesse todos esses momentos.
A minha Anna, diferente da Ana do Caio, voltou pra minha vida. Aos poucos, foi retornando de forma leve e encantadora. Não tocou a campainha e nem o telefone. Tocou aqui dentro de forma diferente. Sem alarde, reconquistou-me.
E agora, minha Anna pede pra voltar definitivamente pra minha vida. Pede pra que sejamos uma só novamente e diz que mudou em tudo. Pede desculpas, pede perdão pelas dores - e foram muitas! - e diz que fará tudo certo dessa vez.
Coração é bicho bobo, saltita quando não deve. Saltitou com essas promessas... Mas a razão, essa gritou lá do alto pra parar tudo e que não é assim. Que Anna não pode simplesmente voltar e bagunçar mais o que já está bagunçado. Que Anna foi, sim, a mulher da vida, mas que foi também a maior decepção, o maior tombo, a maior queda. Que se for pra ser, vai ser, mas não há de ser agora. Então, o coração se acalma e resolve deixar pra cabeça resolver já que ele só tem errado.
Porque realmente, não quero mais gosto de vômito, sensação de desprezo, desrespeito, falta de confiança. Não quero.
O coração ainda tenta provocar a razão: vai deixar passar aquela que lhe fez mais sorriso? Vai deixar ir embora novamente? Vai se permitir perder?
E fica aquela velha e boba briga do anjinho contra o diabinho. Sem eu saber se ajno é a razão ou a emoção.
Eu me calo. E deixo fluir. O tempo, a vida há de me dizer.