Reli "Sem Ana, blues". Reli todo, absorvendo partes antes não tão tocantes. E ao degustar cada palavra, fui lembrando da sensação de quando eu perdi minha Anna. (Sim, a minha tem dois N. Ela não é igual à Ana do Caio, ela não é igual à nenhuma Ana ou Maria ou Gisele ou Bruna do mundo). Lembrei-me da sensação de derrota e dos dias sem comer, sem dormir. Lembrei-me dos 7 quilos que foram embora em uma semana. Do gosto do vômito, das três entrevistas de emprego perdidas, da falta de ânimo pra levantar da cama.
E relendo a Ana do Caio tudo voltou com uma intensidade enorme. Como se eu revivesse todos esses momentos.
A minha Anna, diferente da Ana do Caio, voltou pra minha vida. Aos poucos, foi retornando de forma leve e encantadora. Não tocou a campainha e nem o telefone. Tocou aqui dentro de forma diferente. Sem alarde, reconquistou-me.
E agora, minha Anna pede pra voltar definitivamente pra minha vida. Pede pra que sejamos uma só novamente e diz que mudou em tudo. Pede desculpas, pede perdão pelas dores - e foram muitas! - e diz que fará tudo certo dessa vez.
Coração é bicho bobo, saltita quando não deve. Saltitou com essas promessas... Mas a razão, essa gritou lá do alto pra parar tudo e que não é assim. Que Anna não pode simplesmente voltar e bagunçar mais o que já está bagunçado. Que Anna foi, sim, a mulher da vida, mas que foi também a maior decepção, o maior tombo, a maior queda. Que se for pra ser, vai ser, mas não há de ser agora. Então, o coração se acalma e resolve deixar pra cabeça resolver já que ele só tem errado.
Porque realmente, não quero mais gosto de vômito, sensação de desprezo, desrespeito, falta de confiança. Não quero.
O coração ainda tenta provocar a razão: vai deixar passar aquela que lhe fez mais sorriso? Vai deixar ir embora novamente? Vai se permitir perder?
E fica aquela velha e boba briga do anjinho contra o diabinho. Sem eu saber se ajno é a razão ou a emoção.
Eu me calo. E deixo fluir. O tempo, a vida há de me dizer.