domingo, 13 de setembro de 2009

Olhar

No passeio ela pressentiu que alguém a reparava. Constatou isso ao usar o espelho do estojo de sombras, como um "retrovisor". Ele refletiu um olhar assustado, de alguém que foi descoberto.
Ela fez isso porque pressentiu olhares, que às vezes comiam. Outras vezes que apenas não a queriam distante daqueles passos, que apenas a acompanhavam. Aqueles olhos castanhos seguiam-na. Era um olhar tímido, o suficiente para não estar frente a frente e audacioso ao segui-la perenemente por todo passeio.
Ao descobrir, Marina sorriu como se agradecesse a proteção de seu espião, aliás, espiã.
Ao ser descoberta, a "espiã" envergonhou-se, mas piscou vagarosamente, como se dissesse "por nada".
Assim foi, por dias, semanas... Não se sabe ao certo quanto tempo se passou. Tanto passou que os olhares não mais bastaram. Os olhares passaram a se olhar fixamente e os lábios também começaram a se tocar.