domingo, 18 de março de 2012

Mais forte que o santo

Era noite de terreiro. 
Vacilo seria não estar naquela adoração. 
Fui com meu vestido cru, naturalmente puro e o cravo vermelho pra me acompanhar.
Chão bom pro pé assentar de tanto sambar. 
Santo forte havia de incorporar, o ilê bradar ao cantar de amor e fé. 
Era o que eu queria e o que tinha.
Na dança os santos me envolveram com uma doce morena.
Com jeito matreiro me engracei e ela agraciou. 
O desejo aumentava enquanto a saia rodava, e os corpos se encostavam. 
Até que a poeira do terreiro subiu. 
Nos não pudemos conter o que de dentro vinha. 
As filhas de santo se beijaram até o sol raiar.
Entre os santos e bambas que ali estavam a festejar.

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