terça-feira, 14 de agosto de 2012

Conduza-me.


Seria aqui o tal fim da linha?
Me diz condutor, me diz que não. Me diz que a estrada não tem fim.
Há um ano rastejo e encontro rastros seus onde não gostaria. Há um ano venho esfregando em minha cara uma dor que me parte em três.
Existe algo em você que me reforça o fato de que não dá, algo que me diz que jamais haverá uma mudança e que me olha de cima a baixo como quem quer dizer e não diz: é o fim, querida.
Condutor, me diz... ali, depois daquela luz, existe algo? Existe um muro, uma parede ou uma estrada que me leva ao infinito?
As perguntas são tantas e a cabeça não almeja nenhuma resposta. Ela busca nos buracos, nas entranhas, nos seus passos mal dados, a verdade dentro das tantas mentiras.
Eu tenho medo, condutor, de que você me diz que darei com a cara no muro. Eu tenho medo de chegar sozinha ali. E mais medo ainda se eu chegar acompanhada.
Me diz, condutor, de uma vez por todas... na verdade, me cala. E não me responde nada. Das minhas respostas eu que vou atrás. E o pior: eu acabo encontrando-as.


Juliet Tongue

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