Seria aqui o tal fim da linha?
Me diz condutor, me diz que não. Me diz que a estrada não
tem fim.
Há um ano rastejo e encontro rastros seus onde não gostaria.
Há um ano venho esfregando em minha cara uma dor que me parte em três.
Existe algo em você que me reforça o fato de que não dá,
algo que me diz que jamais haverá uma mudança e que me olha de cima a baixo
como quem quer dizer e não diz: é o fim, querida.
Condutor, me diz... ali, depois daquela luz, existe algo? Existe
um muro, uma parede ou uma estrada que me leva ao infinito?
As perguntas são tantas e a cabeça não almeja nenhuma
resposta. Ela busca nos buracos, nas entranhas, nos seus passos mal dados, a
verdade dentro das tantas mentiras.
Eu tenho medo, condutor, de que você me diz que darei com a
cara no muro. Eu tenho medo de chegar sozinha ali. E mais medo ainda se eu
chegar acompanhada.
Me diz, condutor, de uma vez por todas... na verdade, me
cala. E não me responde nada. Das minhas respostas eu que vou atrás. E o pior:
eu acabo encontrando-as.
Juliet Tongue
Juliet Tongue
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